shopping uol

sábado, 10 de julho de 2010

BEM-AVENTURADOS OS VELHOS BABÕES


Falei outro dia aqui no iTodas sobre a senhora Robinson, símbolo arquetípico da mulher mais velha cuja libido é orientada a rapazes imaturos (Iris Robinson, mulher do Primeiro Ministro da Irlanda do Norte, fez jus ao sobrenome ao lançar-se num escandaloso caso extraconjugal com o filho de seu açougueiro, quarenta anos mais novo do que ela). Eu, desde que me percebi eroticamente interessado por mulheres – lá pelos 5, 6 anos de idade –, sempre curti as mulheres mais velhas. Lembro-me que pegava as revistas “Amiga” da minha avó, as levava pro banheiro e então ficava lá, beijando a boca das atrizes, com especial predileção pela Renée de Vilmond. Tá, a Renée era uma garota de 22 anos em 1975, mas sua beleza sempre teve uma feição plácida e madura.

A escritora Stella Florence costuma insistir numa suposta injustiça de que as mulheres são vítimas – que a maturidade, as rugas e os cabelos brancos não tiram os homens do mercado sexual, muito pelo contrário. E que essas coisas – rugas, cabelos brancos – são uma sentença, senão de morte, mas de franco ostracismo para as mulheres. Não acho que seja bem assim. Na verdade, os grandes picos, os grandes apogeus eróticos da humanidade sempre foram protagonizados por pares desequilibrados no quesito idade. Além da Senhora Robinson, o cinema ainda tem Ruth Popper (papel da atriz Cloris Leachman no filme “The Last Picture Show”) e Dorothy (Jennifer O´Neill, em “Summer of 42”) como grandes personificações de mulheres maduras que se envolvem sexualmente com garotos. E o que dizer de Anna de Assis, mulher de Euclides da Cunha, que era dezessete anos mais velha do que seu amante, Dilermando?

Do outro lado da moeda, o par homem idoso / mulher jovem é uma representação tão comum em narrativas míticas que ignorar seu profundo significado psicológico é ser, no mínimo, negligente. Jung, num de seus mergulhos no próprio inconsciente, lá encontrou um par desse tipo, formado por um senil profeta Elias e uma jovem e cega Salomé. A explicação de Jung para a cegueira de Salomé é que, sendo ela uma personificação absoluta de Eros, era incapaz de enxergar sentidos e nexos causais, tarefa essa que cabia à personificação absoluta de Logos, no caso, o profeta Elias.

Uma pergunta que me ocorre: por que os homens mais velhos que se envolvem com garotas sempre são, no fundo, ridicularizados, algo que não acontece com as senhoras Robinsons? Por exemplo, todo mundo aplaude e admira as conquistas amorosas da atriz Suzana Vieira. Danuza Leão não foi chamada – nem teria motivo para ser, claro – de vovozinha assanhada porque narrou, em seu livro “Quase Tudo”, um one-night-stand que teve em Paris com um rapaz, tendo ela na ocasião mais de 70 anos. Já todo mundo comenta, ao ver as fotos de Olacyr de Moraes e Hugh Hefner com suas respectivas plêiades de loiras peitudas com idade média de 23 anos: “Esses velhos perderam totalmente o senso do ridículo…”.

Tá, OK., Olacyr e Hugh são exemplos exageradamente espalhafatosos. O Jorge Guinle, pô. Era o Guinle aparecer em público acompanhado de mulher que já começavam os cochichos: “Puxa, esse velhote realmente acha que elas dão pra ele porque têm genuína vontade de dar…”. Por que não? Jorge Guinle era um sujeito divertido, cativante, cavalheiro, ativamente interessado por mulheres. Vendo essas manifestações de preconceito, me dá até vontade de parodiar aqueles versos de “Sermão do Diabo”, do Paulo Mendes Campos: “Bem-aventurados os velhos babões que abandonaram as patroas desfiguradas pelos liftings e pela toxina botulínica e que agora circulam por aí com garotas de 25 anos, pois eles pertencem às searas mitológicas”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário